Várias vezes chega aos meus ouvidos “alfinetadas” diversas relativas às criptomoedas. “Você tem coragem de investir nisso?“, “Sempre ouço falar que é perigoso“, “Para ser usado precisa antes ter regulamentação, porque sem regulamentação pode ser um perigo para todos, pode haver fraude“.

Bom, para começo de conversa, as pessoas deveriam ter em mente que o dinheiro que elas têm na carteira nesse exato momento não vale nada. Vale somente a “confiança” que você deposita no governo, e isso vem desde que o padrão ouro foi extinto, época em que ainda havia lastro, coisa que agora inexiste. O que existe são apenas números virtuais – dinheiro escriturário – nas contas bancárias.

Experimente você, pobre mortal, ir ao seu banco nesse exato momento, e tentar sacar tudo o que você tem na conta (pressupondo que você possua um valor considerável). A resposta será: “você precisa agendar para tirar esse valor, porque o banco não tem esse valor na agência nesse momento“. Mas por que não tem esse valor? Porque ele trabalha com reservas fracionárias. Ou seja, se você acha que o seu dinheiro realmente está no banco ao qual você confiou as suas finanças, não, não está. Está uma parcela dele. O restante está por aí sabe-se lá onde, sendo oferecido muitas vezes como crédito para outras pessoas. Para quem quiser saber um pouco mais, eu aconselho a leitura do artigo Papel moeda não vale nada e o governo sabe disso.

Mas voltando ao assunto Mídia Mainstream, a mais nova notícia – nada espantosa – é a de que o Banco Central polonês, junto a uma rede de parceiros Gamellon, Google Ireland Limited e a Facebook Ireland Limited, andou financiando a mídia para denegrir as criptomoedas, através de um Youtuber chamado Marcin Dubiel, em um vídeo entitulado “Eu perdi todo o meu dinheiro” (que teve mais de 500 mil visualizações), veiculado em dezembro de 2017, conforme relatado pelo site polaco de notícias money.pl.

Foram investidos (muito provavelmente do bolso dos contribuintes poloneses) cerca de 27 mil dólares em conteúdo anti-cripto. Além de se utilizarem do canal do Marcin Dubiel (que possui 900 mil assinantes), também financiaram o canal Planeta Faktów (Planeta de Fatos) que tem mais de 1,5 milhões de assinantes.

Como era de se esperar, logicamente o youtuber em momento algum de seu vídeo comentou que havia sido financiado pelo Banco Central, afinal um dos métodos do estado para alcançar seus objetivos é ser sorrateiro. Contudo, apesar de tentar insuflar anonimamente, falhou no momento em que foi utilizada a hashtag #uważajnakryptowaluty, que se refere à Autoridade Polaca de Supervisão Financeira e o site comum do Banco Central da Polônia dedicado a advertências contra o uso de criptografia.

Para aqueles que tiverem curiosidade de assistir ao vídeo, apesar de não haver legendas, elas parecem desnecessárias, quando o vídeo apresenta (independente de saber polonês ou não) uma imagem caricata e debochada daqueles que investem em criptomoedas, fazendo o público acreditar que são lunáticos, imaturos e inconsequentes. No momento de pagar a conta, o rapaz fica em uma sinuca de bico pois o estabelecimento não aceita a moeda digital que ele possuía, e a mulher que estava com ele é quem paga a conta porque possuía a moeda corrente local, finalizando então o encontro e largando-o na mesa sozinho. E o vídeo termina mostrando a importância da moeda estatal em detrimento das criptomoedas, essas sendo algo de “pessoas mimadas” que vivem em uma bolha.

Apesar de reconhecer oficialmente tanto a negociação quanto a mineração de criptomoedas em fevereiro de 2017, a Polônia tem ficado fora do ciclo de notícias cripto. Todavia, depois do anúncio da Petro por Nicolás Maduro – uma criptomoeda nacional da Venezuela, subitamente a Polônia se tornou um dos investidores estrangeiros dispostos a trocar alimentos e remédios pela nova moeda digital Petro.

Acho que, per se, esta notícia desvela claramente os objetivos escusos da aliança entre estado e mídia em mais um processo de doutrinação ideológica focada em tentar (apenas tentar!) impedir o crescimento do uso de criptomoedas pela população menos informada, e que bebe das águas do mainstream como sendo o arauto do saber. E o que isso tem exatamente, como diz o título, a ver com a liquidez das criptomoedas?

Quanto mais pessoas vierem a utilizar as criptomoedas como meio de troca, isto é utilizando-as para comprar ou vender bens, estabelecimentos adotando-as em larga escala como meio de recebimento, mais isso fará com que as mesmas percam a sua grande volatilidade, passando a serem amplamente utilizadas como uma moeda, e não somente como uma commodity ou reserva de valor.

Enquanto houver essa insegurança, desconfiança, especialmente insuflada pelo estado sobre parcela das pessoas, bem como o total desconhecimento sobre a verdadeira origem do dinheiro, uma parte significativa da população continuará acreditando (erroneamente) que está fazendo melhor negócio em continuar usando a moeda corrente que nada vale, e ignorando a existẽncia da porta de entrada para um mundo sem intervenção estatal em seu dinheiro.


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