Bitcoin não tem valor intrínseco ou inerente.

Esta não é uma desvantagem tão grave quanto pode parecer, até porque nada tem valor intrínseco. Muito menos notas de papel impressas feitas pelo governo, o ouro, os grãos e até o sal extraído dos mares.

O valor intrínseco não pode existir porque o valor é subjetivo. O valor existe apenas nas mentes. A mente impute valor a uma determinada coisa material ou não, e de acordo com o quão útil uma pessoa acredita que essa coisa é pelos seus critérios individuais, ela a valora pela sua utilidade que está a serviço da satisfação de suas necessidades. Necessidades humanas estas que são subjetivas. As necessidades das pessoas são relativas, e variam de pessoa para pessoa e de dia para dia.

Carl Menger explicou isso melhor:

“Quando eu discuto aqui, a natureza do valor, eu observo que o valor é nada inerente aos bens, e esse mesmo valor, não é uma propriedade desses bens. Se nem o próprio valor é uma coisa independente da mente, muito menos o bem em si pode ser. 

Não há o que explique como um bem pode ter valor para um indivíduo em determinado momento, mas nenhum valor em uma circunstância ou situação diferente.

A forma de medir o valor de algo e se ele é realmente útil para determinada coisa, é inteiramente de natureza subjetiva, criada por critérios individuais que são frutos da mente humana.

Por esta razão, um bem pode ter grande valor para um indivíduo, mas pouco ou nenhum valor para um terceiro, dependendo das diferenças em seus requisitos e quantidades disponíveis.

O que uma pessoa despreza ou valoriza pouco, pode ser apreciada por outra, e o que uma pessoa abandona ou ignora, é muitas vezes apanhada por outra.” (Carl Menger)

“O valor que os bens possuem para cada indivíduo constitui a base mais importante para a determinação do preço.” (Carl Menger)

Diferentemente da teoria marxista do valor-trabalho, que implica em afirmar que o valor é objetivo, quando Carl Menger discute aqui, a natureza do valor, observamos que esse valor, fruto da mente humana não é inerente aos bens e muito menos é uma propriedade intrínseca dos bens.

Se você se quiser falar sobre como um metal precioso como o ouro uma criptomoeda tem um determinado valor inerentemente objetivo, considere ao invés disso, se perguntar antes qual é demanda que as pessoas tem por esses ativos, para usos não especulativos.

A existência de usos não-especulativos para um bem – o uso que os humanos se preocupam, ou seja, a utilidade deles – é economicamente significativa, já que a medida em que cada um desses usos úteis torna menos provável que o preço de mercado do ativo tenda a despencar para além de um mínimo.

Resumindo:

Então, qual é o erro em usar a teoria do valor intrínseco como um resumo para justificar a demanda de pessoas que encontram usos não especulativos nesses ativos?

O problema é que isso torna mais difícil chegarmos à verdade dos fatos. Quando uma linguagem confusa dá origem a uma teoria fundamentada em um pensamento errado, passa a ser muito mais difícil de ser corrigida, esclarecida e assimilada. A medida em que podemos mudar essa nossa linguagem para falar com mais precisão sobre um tópico sem perda significativa de conveniência do que é racional ou não, devemos ter cuidado em fazer afirmações.

Neste contexto, acho que podemos adentrar na questão.

Aqui está uma exemplo de como um erro que o uso de uma linguagem incorreta pode nos levar:

Falar que o valor do ouro é inerente, pode obscurecer a possibilidade de que a demanda por ele possa cair para zero em algum dia do nosso incerto futuro.

Para exemplificar como diversos fatores podem influenciar o valor do ouro que não é inerente, pense como os processos industriais que antes dependiam do ouro podem mudar, simplesmente com a descoberta de um material (afetando a utilidade do ouro na indústria), ou a mudança de uma tendência que está na moda (afetando a desejabilidade do ouro como uma joia de decoração ou símbolo de status), e até mesmo a descoberta de formas de mineração mais eficientes (afetando a aparente escassez de ouro, promovendo uma abundancia dele).

Se alguma proporção do valor do ouro fosse verdadeiramente inerente, nenhuma dessas hipotéticas mudanças no mercado, traria seu preço para zero.

No entanto, podemos facilmente imaginar tais cenários como sendo perfeitamente possíveis no mundo real.

Valor de utilidade oculta das Criptomoedas baseadas em Blockchain

A ideia de valor inerente pode desencadear nas pessoas o surgimento de um pensamento de falsa dicotomia. A criação da ilusão de que algumas classes de ativos (como o ouro) são fundamentalmente diferentes das demais por causa dessa suposta qualidade especial, pode beneficiar quem lucra com o mercado desses ativos.

Mas nenhuma distinção é tão difícil de fazer quanto encontrar uma utilidade para as criptomoedas.

Se você olhar perto o suficiente, pode encontrar exemplos de utilidade não-especulativas nas criptomoedas.

Ao explicar seu teorema de regressão, Ludwig Von Mises escreveu:

“Nenhum bem pode ser empregado para a função de um meio de troca que, no início da sua utilização para este fim, não tinha valor de troca por conta de outros empregos.”

Em outras palavras, para que qualquer criação de dinheiro comece e vingue, ele deve inicialmente ser útil de alguma forma para as pessoas – deve possuir demanda – por razões que não derivam de sua função potencial como dinheiro.

Aqui está Konrad Graf falando sobre como a história do Bitcoin facilmente se enquadra com o teorema de regressão de Mises:

“Em outras palavras, a mera posse, conhecimento e uso podem levar funções de sinalização de associação social em várias subculturas, bem como usar certos estilos de roupas. Estes também são valores de consumo direto para aqueles que estão envolvidos com essa sinalização. Os valores de uso direto, sejam psicológicos ou sociológicos, não precisam ser reconhecidos por pessoas que não sejam as de uma determinada subcultura que realmente fazem a valorização (de acordo com o individualismo metodológico e o valor subjetivo).”

Em resumo, a queixa de que os recursos guardados em criptomoedas não têm valor intrínseco está fora de coerência porque absolutamente nada tem valor intrínseco. Enquanto isso, mesmo algo tão improvável quanto uma quantidade de ativos digitais acaba por ter um valor de uso não relacionado ao comércio. Uma vez que este comum é apreciado, é possível falar com mais sensibilidade e propriedade sobre as semelhanças e diferenças entre as moedas cripto e as formas mais tradicionais de dinheiro, como o papel-moeda.


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